quarta-feira, 9 de junho de 2021

Linha de Frente.

Depois de 22 anos de profissão, sendo massacrada, muitas vezes humilhada, virei linha de frente. Ser professora nunca foi fácil, na pandemia então, impossivel. Trabalhando mil vezes mais, sem estrutura e sendo taxada de vagabunda, fui obrigada a ouvir que sou linha de frente. Linha de frente, para receber o vírus? Linha de frente, para ficar com as crianças que estavam sem rumo? Linha de frente, para receber crianças com defasagem educacional e emocional? Falar é fácil, quero ver ficarem no meu lugar, trabalhar diariamente, com medo de ficar doente, tentar me proteger e seguir o protocolo, enquanto as crianças parecem gatos procurando carinho constantemente. Seguir o planejamento e o BNCC, enquanto seus alunos ao menos sabem pegar no lápis, ou andar em linha reta, não tem habilidades motoras e muito menos conseguem interagir com as outras crianças. Gritam o tempo todo, querendo chamar nossa atenção, muitas vezes estamos falando com eles e mesmo assim continuam gritando como se não estivessemos ouvindo o que estamos falando. Mas sou linha de frente, então eu que me vire e faça acontecer, mesmo que não consiga dar conta de todas as dificuldades diárias, afinal você é uma pessoa competente e consegue realizar todas as tarefas propostas. Que Deus me proteja, pois ser linha de frente não é fácil.